terça-feira, 13 de agosto de 2013

Condomínio de luxo para aposentados gays gera polêmica na França

A criação de um condomínio residencial para aposentados gays na França, o primeiro empreendimento desse tipo no país, suscita debates sobre o "comunitarismo homossexual" e divide opiniões de associações que lutam contra discriminações.
O projeto imobiliário, situado no sudoeste da França, também provocou reações negativas por parte do prefeito e de moradores do pequeno vilarejo de Sallèles d’Aude, nos arredores do condomínio.
O empreendimento Village ─ Canal du Midi "é um oásis privado para a comunidade gay e lésbica que deseja levar uma vida ativa e sadia em um clima quente e amistoso do sul da França", diz o catálogo de vendas da empresa britânica Villages Group.
O grupo constrói condomínios residenciais na França para pessoas com mais de 50 anos e visa normalmente a clientela inglesa.
O condomínio para gays terá 107 casas "ecológicas", vendidas entre 236 mil e 248 mil euros (entre R$ 717,3 mil e R$ 753,8 mil), além de duas piscinas, quadra de tênis, campo de golf, sauna, centros de lazer e ainda um hotel e um restaurante, abertos ao público em geral.
O catálogo do projeto afirma que o condomínio será protegido por um muro. "Estamos chocados e somos desfavoráveis", diz  Michel Germain , presidente da associação francesa de gays aposentados, que luta contra o isolamento, em entrevista à radio RTL. "Não aprovo a ideia de viver em gueto como ocorre nos Estados Unidos ou na Alemanha, onde há condomínios desse tipo. Os gays não devem criar um grupo à parte", pondera .
Para Catherine Tripon, porta-voz da associação Outros Círculos, que luta contra a homofobia, "é preciso entender que os gays aposentados viveram em outra época, em um período onde a homossexualidade era (considerada) um crime ou uma doença".
Mercado fraco
Inicialmente, o projeto não previa que o condomínio fosse destinado aos gays, disse à BBC Brasil o inglês Danny Silver, diretor do The Villages Group.
"É puro negócio. Quando começamos a vender as casas, em junho, o mercado estava muito fraco. Tivemos então a ideia de visar a clientela gay, com alto poder aquisitivo", contou Silver. O catálogo de vendas foi reeditado para incluir na capa uma bandeira com as cores do arco-íris, principal símbolo da comunidade LGBT. "Em três dias, recebemos 200 pedidos de informações. O mesmo total que havíamos recebido durante três meses", revela o diretor. 
Segundo Silver, o projeto do condomínio francês está fazendo sucesso nos Estados Unidos e 12 reservas de casas já foram realizadas pela clientela americana.
Já o prefeito do vilarejo de Sallèles d’Aude, Yves Bastié, afirma "ter caído das nuvens" quando soube, recentemente, que o condomínio terá moradores gays. Ele havia concedido em janeiro as autorizações para construir. "Quando assinei os documentos, o projeto não era esse e poderia ter sido um motivo para recusá-lo", conta o prefeito do vilarejo de 3 mil habitantes.

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